Tenho medo do escuro, tenho medo de morrer tragicamente, tenho medo de banheiro público, tenho medo de pessoas não familiares que me cumprimentam dando aquele abraço com a cabeça apoiada no ombro, tenho medo de pegar carona e ser obrigado a conversar com o dono do carro, tenho medo de ser lambida por um dragão de komodo.
Bom...Eu tenho medo de várias coisas, mas a que está me angustiando demais ultimamente, é o medo de que as pessoas tenham percebido que faz umas quatro semanas que eu não posto nada no AiÊ!. Na verdade é meio que uma mistura de medo com vergonha, por não ter vergonha na cara mesmo. Acho que nenhum conhecido meu precisa ser engenheiro de foguete pra perceber que eu estou passando por um período meio confuso, uma fase meio caótica, diria até que to numa crise pós-traumática (mãe, por favor, se estiver lendo isso desconsidere pelo menos 78% do texto. Não se atenha a esses meros detalhes que eu escrevo sobre dragões e coisas pós-traumáticas, ok?)
Entre longos hiatos, atualizações esporádicas, posts confusos e textos que se lidos ao contrário podem possivelmente conter mensagens satânicas, fica cada vez mais claro que eu estou virando uma chata sem criatividade. Eu meio que abandonei a idéia de ser uma espécie de Tom Hanks da internet brasileira – consistente, simpático, dançando em cima de teclados gigantes ao som de jingles, explorando um pouco de ironia – e passei para uma postura, claramente mais Lindsay Lohan – inconstante, porra-louca, possivelmente abusando das toxinas botulínicas.
AfeMarêa!
Eu na verdade não sei de onde eu tiro tanta besteira pra falar... juro. Esse espaço deveria ser sobre comportamento. Pois bem, acho que tenho me comportado mal. Bad, bad girl!! E obviamente eu vou recorrer pra apelação, e dizer que a minha indisciplina com as coisas – sobretudo com esse blog lindo de Deus, que não merece essa colaboradora que tem – é conseqüência de uma bola de neve que se formou com o atribulado final de 2011 cheio de medos, mudanças e problemas familiares, até o conturbado inicio de 2012, com trabalho incerto, perdas, problemas de adaptação na academia, doenças e sobretudo depois que meu amigo imaginário Francisco me abandonou. Ok, Ok. Mentira, eu nem fiquei doente esse ano.
Eu na verdade não queria confessar, mas eu estou muito preguiçosa ultimamente. Confesso que tive tempo de escrever, mas parece que alguma coisa não me deixou. Essa coisa se chama: eu na internet. Não quero dar maiores exemplificações, mas de uma hora pra outra também virei uma cinéfila, coisa que não estava no meu currículo de hobbies que não dão dinheiro, junto com perder o ônibus todo dia, gastar dinheiro em balas de goma e pegar a mercadoria errada no super mercado (eu sempre faço isso, é muiiiito frustrante querer tomar suco de pêssego, olhar pra caixinha do suco de pêssego bem na frente do nariz e pegar a do lado, que é de goiaba! Quem toma suco de goiaba gente? pelamordedeus?)
Enfim, acho que nas ultimas semanas eu quis descontar toda uma vida fora desse campo artístico contemporâneo, e esqueci que existia uma vida lá fora. Foi uma loucura... mas uma loucura muito linda, muito engraçada, muito emotiva, renovada esteticamente. Pra variar pensar em arte, me faz fugir um pouco do cotidiano redundante em tons pastel. Eu fico meio, com uma ressaca imaginativa. Na maioria das vezes eu queria ter sido parte de um filme, não como atriz, mas como roteiro.
Pois bem, depois disso, eu tenho um dom estranho de me apegar às cenas e detalhes, que me transportam para outra história. E mais uma vez Francisco me faz falta nessa hora. Afinal, com quem mais eu comentaria que toda a história que envolve a trama “Alien” desdobra-se na verdade sob um pano de fundo matriarcal, onde a supremacia feminina é evidenciada enquanto relação de poder? Que a figura feminina é mais do que um ponto chave para a existência entre o mundo “Alien” e humano, é toda a razão da existência? Que o controle hetero-masculino é derrubado logo no inicio, propositalmente, deixando seu legado ser transformado pelas minorias, e por fim ao pode feminino?
Genteeee, quanta coisa louca pra se comentar sobre filmes. O loiro mesmo nem assiste mais filme comigo, disse que eu viajo demais na batatinha... Francisco desistiu também, decidiu virar boiadeiro... restou minha interpretação. Tomara que ela não fuja tão cedo também.
Eu adorei esse tempo recluso, pensando nas inúmeras interpretações que um observador pode ter, participando ativamente do processo criativo e da busca por significado. Nosso olhar é diferente do outro! E é claro... ao mesmo tempo em que, no aspecto positivo, isso quer dizer que a obra de arte sempre se renova a cada leitura já que todo novo leitor tira dela um sentido diferente (nossa... as formigas atacaram meu bolinho! Droga!!! “Lembrar de não comer quanto escrevo”) ... no aspecto negativo isso quer dizer que alguns leitores, várias vezes a maioria deles, vai apenas viajar legal e deixar todo mundo irritado com sua opinião nada sensata sobre um puta filme bom!
Os casos são inúmeros. Pessoas que tomam “Conduzindo Miss Daisy” como um filme sobre a questão racial quando na verdade ele critica o sistema de transporte público, povo que entende “Toy Story” como um filme sobre infância e amizade quando se trata de possessão demoníaca e objetos inanimados que se movem durante a noite, rapaziada que vê “Rei Leão” e não nota a clara propaganda pró-adoção e o reforço positivo dos resultados da criação de bebês por casais do mesmo sexo – Timão e Pumba (Eu tenho um traumazinho com Rei Leão, na verdade. Eu tomei um puta susto quando achei que aquele macaco doido ia jogar o Simba da montanha). E o mais recente caso de filme em que a “galere” claramente não entendeu é o Drive, do diretor dinamarquês Nicolas Winding Refn.
Afinal, enquanto alguns classificam “Drive” como um noir contemporâneo, uma emocionante história sobre um herói existencial, definido não por suas palavras, mas por seu comportamento, o filme claramente é muito mais do que uma trama de assalto e mais do que uma observação sobre como você não precisa nem mesmo saber falar pra arrasar corações, se você se parecer com Ryan Gosling (me pegava! Facinho...). Não gente.... Drive é muito mais do que isso. Drive é uma elaborada, apaixonada, dramática e incisiva defesa do hábito de usar palitos de dentes. Sim, palitos de dentes. (Gina indelicada em polvorosa!)
Mas por que palitos de dentes? Pela simbologia, oras. Afinal, existe uma boa razão pela qual eles foram escolhidos como principal traço definidor de personalidade de um personagem com tão poucas falas, tão pouco passado, um personagem sem monólogos internos, sem narrativas em off. O palito denota autenticidade, o palito demonstra coragem para buscar a utilidade em detrimento da estética, ignorar o status quo, caminhar de cabeça erguida contra a censura e a autoridade instituída. O palito significa o constante desafio, a incessante busca, o interminável conflito, a eterna preparação para o confronto e a possível certeza de que no banheiro daquele bar não vai ter fio dental então é melhor se preparar se for pedir porçãozinha de bolinho com carne seca, porque gruda tudo no dente e vira um inferno.
O palito simboliza a coragem de ser diferente, de quebrar as regras simples, mas não pela vontade de chocar, não pelo que nos leva a fazer tatuagens faciais, escrever um blog sobre moda e usar crocs laranjas num casamento, mas sim pela vontade de moldar o mundo de acordo com a nossa conveniência, de buscar a nossa satisfação mesmo quando ela foge dos padrões pré-estabelecidos e das regras sociais.
E essa é, no final das contas, a verdadeira mensagem do filme, o verdadeiro sentido, a genuína rebeldia. Porque o que torna o piloto sem nome de “Drive” um rebelde, um fora da lei, mais do que a jaquetinha de escorpião naquele body perfeito de deus (ai, aim...), mais que os crimes, mais do que as corridas, mais até mesmo do que aquele lance super tenso envolvendo o martelo é a coragem de sair por aí usando um palito de dente quando poucos outros ousariam. E possivelmente nada nesse mundo te torna mais ousado, mais rebelde, mais autêntico, do que tirar aquele negócio que está preso no seu dente do jeito que você quiser, sem se preocupar com o que os outros vão dizer.
Vou continuar essa fase cinéfila, tentando não absorver a parte rebelde dos filmes, prometendo não arranjar confusões e continuar postando aqui!
Saudade de vocês seus lindos!
Beijos da Sue.
Sue, sua linda! Como eu havia dito, para mim seus distanciamentos fazem parte do processo criativo para confecção de seus texto. Até a preguiça pode trazer grandes ideias e novas formas de pensar. Aceito sua pessoa do jeito que ela é, e acho sinceramente que suas experiencias fora desse blog é o que faz seus posts serem incríveis.
ResponderExcluirObrigado sempre!
OWNNN! muito obrigada meu amor, espero mesmo melhorar meus textos porque eles são feitos para pessoas inteligentes e maravilhosas! Apoio de vocês é tudo... adoro AiÊ! Vida longa ao rei. hauhauahuha muaaaahhh!
ExcluirBrilhante reflexão, Su.
ResponderExcluirDeixemos a preguiça de lado e usemos mais palitos de dente! Para um mundo melhor!
Beijão
BRIGADA SEU LINDO! UM BEIJO GRANDE!
ExcluirAntes de mais nada, eu adoro suco de goiaba, OK?
ResponderExcluirNão dá para ser criativa o dia todo e todo dia. Nossa vida está em constante mudanças. Aproveite a fase cinéfila, tome suco de goiaba, viva :P
Não faça das suas postagens uma obrigação, mas sim uam diversão. Quando somos "obrigados" a fazer algo, esse algo perde a graça, o bom da coisa é fazer com gosto, com tesão, com disposição. Aproveite esse tempo, encontre sua inspiração e volte com tudo. Procure a Carrie dentro de você. Não a "Estranha", mas a Bradshaw. HAHAH
Beijo de luz.
Beijo
HAUAHUAHAHUA ADOREIIII MEU AMIGO.. AS PALAVRAS, TUDO! MUITO OBRIGADA! SOBRE O SUCO DE GOIABA: SÉRIO MESMO??? TEM CERTEZA QUE VOCÊ NÃO COMPRA MORANGO NO LUGAR DE GOIABA NO MERCADO E NEM PERCEBE COMO EU NÃO??? HHUAHAUHA TE AMO SEU LINDO. BEIJO BEIJO
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